Caso Thamiris: da menina desaparecida à confirmação da morte e prisão de suspeitos na Bahia

Investigação aponta que garota foi morta a mando de um detento do Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Corpo dela foi encontrado na quinta-feira (19), em Salvador, e um vizinho foi preso, suspeito de atraí-la para o local do crime.


A adolescente de 14 anos, Thamiris Pereira, desapareceu na quinta-feira (12), no bairro Jardim das Margaridas, em Salvador. Após uma semana de buscas, o corpo foi encontrado em um terreno baldio e dois homens foram alvos de mandados de prisão por envolvimento no crime.

Um deles era vizinho dela e chegou a participar dos grupos de voluntários que buscavam pelo paradeiro da menina. Ele foi preso em casa, suspeito de atraí-la para o local do crime.

O outro já estava detido por violência doméstica. Ele teria orquestrado o assassinato da menina de dentro da prisão.

Das buscas por Thamiris à identificação do corpo

12 de março, quinta-feira

Thamiris saiu da escola, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, mas não seguiu direto para casa, no bairro Jardim das Margaridas, em Salvador.

Na mesma data, a mochila dela foi encontrada com todos os itens escolares. Apenas o celular de Thamiris ainda não foi encontrado.

13 de março, sexta-feira
Começaram as buscas por Thamiris no bairro do Jardim das Margaridas. Os familiares da garota confirmaram que o celular dela estava desligado e que, ao consultar câmeras da região, notaram que ela não passou pelo caminho que costumava usar quando voltava da escola para casa.

16 de março, segunda-feira

Foram divulgadas imagens de uma câmera de segurança, que flagrou a menina usando a farda da escola e caminhando pelo Jardim das Margaridas, no dia 12 de março.

O vídeo mostra que ela parou na frente de uma casa e depois seguiu um caminho contrário ao que costumava usar para chegar à própria residência. As imagens não capturaram o ponto de parada de Thamiris.

17 de março, terça-feira

Familiares e amigos da adolescente fizeram um protesto na região da estação de metrô Aeroporto, em Lauro de Freitas, cobrando celeridade nas buscas e investigações.

18 de março, quarta-feira

Familiares e amigos de Thamiris fizeram um novo protesto na região de São Gonçalo do Retiro e colocaram fogo na pista. A Polícia Militar foi acionada para acompanhar o ato.

19 de março, quinta-feira

Os familiares de Thamiris foram até a sede da Secretaria de Segurança Pública, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, para cobrar celeridade no caso. Após o protesto, a mãe da garota participou de uma reunião no Centro de Operações e Inteligência (COI).

Horas depois, um corpo foi encontrado em um terreno baldio em Cassange, em Salvador. Ao lado, estavam a farda, o sapato e o relógio que Thamiris usava no dia em que foi vista pela última vez.

Apesar dos indícios de que se tratava da menina, a família não pôde fazer o reconhecimento formal diante do estado avançado de decomposição do corpo. Seguiu-se, então, os trâmites do Instituto Médico Legal (IML) para análise do corpo e do material encontrado.

No mesmo dia, dois homens foram alvos de mandados de prisão temporária. Um deles é Rodrigo Faria Sena dos Santos, de 37 anos, vizinho de Thamiris.

Ele morava em uma casa abaixo do imóvel onde vive a família da garota. Para a Polícia Civil, Rodrigo a atraiu para o local do crime.

O segundo alvo de mandado estava preso desde 20 de fevereiro por violência doméstica. Davi de Jesus Ferreira, de 32 anos, é suspeito de ter orquestrado o crime contra a menina de dentro do Complexo Penitenciário da Mata Escura.

Os investigadores trabalham com a tese de que ele ordenou o crime por vingança, pois acreditava que a menina foi a responsável por acionar a polícia para denunciar a agressão. Não há confirmação de que Thamiris tenha feito isso.

20 de março, sexta-feira

Exames periciais confirmaram que o corpo encontrado é de Thamiris. A informação foi divulgada pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT-BA).

Em nota, o DPT-BA informou que a confirmação foi feita por meio da necropapiloscopia, que é o confronto das impressões digitais da vítima com as fichas do banco de dados do Instituto de Identificação.

O órgão pontuou também que exames periciais estão sendo realizados e os laudos serão encaminhados para a delegacia assim que concluídos. O prazo para liberação é de 10 dias, podendo ser prorrogado conforme necessidade da perícia.

Além disso, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em três endereços e em um trecho da Rua Antônio das Neves, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas. Na região, foram realizadas buscas por vestígios biológicos e outros indícios que possam contribuir para o esclarecimento do crime.

Fonte: g1 ba

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