A Justiça determinou que uma funcionária receba indenização de R$ 10 mil por assédio moral no ambiente de trabalho. De acordo com a denúncia, a mulher, que trabalhava com telemarketing, recebia cobranças agressivas de metas e ameaças de demissão. Ela era obrigada a fazer, em média, 540 ligações diárias.
O caso foi registrado em Presidente Prudente, em São Paulo. A funcionária foi contratada em 2013 pela Adobe Assessoria de Serviços Cadastrais para trabalhar na Crefisa para oferecer empréstimos e financiamentos aos clientes. Ela trabalhava como coordenadora da unidade e foi dispensada sem justa causa em 2016.
Para cumprir as metas consideradas ‘impossíveis’, ela era obrigada a realizar trabalho de telemarketing, com mais de 500 ligações por dia. Ainda segundo a denúncia, a chefia fazia importunações diárias que causavam angústia e desespero, porque sua meta nunca poderia ser inferior a 100%.
O juízo de primeiro grau condenou as empresas a pagar indenização por assédio moral, com base em testemunhas que confirmaram que a coordenadora era submetida constantemente a situações humilhantes e constrangedoras. Também foi comprovada gestão sobre pressão, exposição dos empregados por meio de ranking e ameaça – ainda que velada – de perda do emprego.
A Adobe e a Crefisa recorreram da decisão, mas a Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitou o recurso. Segundo o colegiado, testemunhas e documentos provaram o quadro de violência moral e a pressão para superar as metas.
Segundo uma testemunha, os e-mails eram endereçados a todos, com comparações da produção de cada um. No grupo do WhatsApp, a cobrança era mais tensa, com afirmações como “você está sendo paga para isso, por favor, cumpra pelo que está sendo paga” e “tem muita gente querendo o seu emprego”.
Fonte: Correio 24 Horas



