Medalhista olímpica desde os 13 anos, skatista construiu patrimônio com premiações e contratos publicitário
Aos 18 anos, Rayssa Leal já transformou uma carreira iniciada ainda na infância em um patrimônio estimado em R$ 90 milhões. A skatista maranhense, que conquistou sua segunda medalha olímpica em Paris e acumula títulos internacionais, também mantém contratos com grandes marcas, tem uma mansão com pista profissional em Imperatriz e segue ampliando a coleção de troféus. E não para por aí: Rayssa revelou que pretende disputar pelo menos mais dois Jogos Olímpicos.
O título mais recente veio em 9 de agosto. Rayssa venceu o SLS Rio Takeover, disputado no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e superou a japonesa Momiji Nishiya por uma diferença de apenas 0,2 ponto. A brasileira terminou a final com 20,9 pontos, enquanto a rival marcou 20,7. A espanhola Daniela Terol completou o pódio, com 17,7.
A conquista foi a segunda de Rayssa na temporada 2026 da Street League Skateboarding. Antes do triunfo no Rio, ela havia vencido a etapa de Sydney, na Austrália, em fevereiro. O resultado no Maracanãzinho também a colocou em posição de destaque na corrida pelo Super Crown, última etapa da temporada, marcada para dezembro, em São Paulo.
A vitória no Rio aconteceu mesmo depois de uma queda sofrida durante o treino do dia anterior, quando a atleta sentiu dores. Na decisão, Rayssa começou com uma queda, mas reagiu nas tentativas seguintes e garantiu a liderança antes mesmo da última manobra.
“Ontem eu não estava andando tão bem. Hoje eu andei assim, tudo que eu podia andar. Fiquei muito contente. Eu dedico esse título para a minha família, para eles que estão lá em Imperatriz. Pai, feliz Dia dos Pais. Eu te amo”, disse Rayssa após a conquista.
O novo troféu se soma a uma trajetória que começou a ganhar projeção mundial quando Rayssa tinha apenas 13 anos. Nos Jogos de Tóquio, em 2020, ela conquistou a medalha de prata no skate street e se tornou a mais jovem medalhista olímpica da história do Brasil.
Em Paris 2024, aos 16 anos, voltou ao pódio. Depois de uma semifinal marcada por quedas e pressão, Rayssa conseguiu reagir na decisão. Antes da última rodada do best trick, ainda não havia conseguido completar uma manobra válida, mas acertou um kickflip Smith grind e garantiu o terceiro lugar.
“Paris foi uma loucura”, relembrou Rayssa, dois anos depois, em entrevista ao Olympics.com no mês passado. “A torcida era incrível, estavam gritando bastante. Eu estava muito nervosa.”
“Senti muita pressão para andar de forma mais leve, mais bonita”, acrescentou.
A experiência olímpica também alterou sua relação com o skate. “Paris mudou a forma como eu enxergava o skate como uma forma de expressão”, afirmou.
“Depois de toda aquela pressão, aprendi que não era só sobre isso, mas também sobre se divertir. Hoje tenho maturidade para entender que, quando estou me divertindo, consigo chegar a lugares inimagináveis.”
Publicidade e patrimônio
Enquanto os resultados esportivos se acumulam, a carreira fora das pistas também ganhou proporções milionárias. O patrimônio estimado em R$ 90 milhões é associado a premiações e, principalmente, a contratos publicitários com empresas de diferentes setores. Entre as marcas com as quais Rayssa já fez parcerias está a grife de luxo Louis Vuitton.
Em 2025, a skatista também teve uma temporada de destaque financeiro nas competições. Ao conquistar o tetracampeonato consecutivo do Super Crown, em São Paulo, recebeu US$ 100 mil, valor que na cotação da época ultrapassava R$ 540 mil. Somados os pódios daquele ano, os ganhos em premiações diretas passaram de R$ 900 mil.
Parte desse patrimônio está concentrada em imóveis. Em Imperatriz, sua cidade natal, Rayssa tem uma mansão que inclui uma pista profissional de skate no quintal. A estrutura permite que a atleta mantenha uma rotina de treinamento sem depender exclusivamente de centros esportivos.
Ela também mantém uma base em São Paulo, onde concentra parte dos compromissos comerciais e eventos relacionados à carreira.
A skatista ainda direciona recursos para projetos sociais. Entre as iniciativas apoiadas está a ONG Social Skate, em Poá, na Grande São Paulo, que atende crianças e jovens em situação de vulnerabilidade por meio do esporte. Rayssa destinou cerca de US$ 50 mil, aproximadamente R$ 250 mil, para a organização.
Planos olímpicos
Aos 18 anos, Rayssa também já começou a pensar no longo prazo. Após Tóquio e Paris, o próximo objetivo olímpico é Los Angeles 2028, quando terá 20 anos. Ela, porém, não pretende encerrar a trajetória após os próximos Jogos.
“Depois de Tóquio e depois de Paris, quando eu chegar a Los Angeles vou estar com 20 anos. São mais dois anos para crescer, aprender novas manobras e evoluir emocionalmente também”. avaliou.
E revelou seus planos: “Isso é muito importante para a minha geração; no futuro seremos nós os mais experientes. E eu quero disputar mais duas ou três Olimpíadas, então quero deixar tudo o que tenho na pista.”
Formatura
A evolução também acontece fora das pistas. Em 2026, Rayssa concluiu o ensino médio e passou a dividir o tempo entre o Brasil e Los Angeles durante a preparação para o novo ciclo olímpico. Ela também apareceu na capa da Rolling Stone Brasil após completar 18 anos e entrou para a primeira edição da lista TIME100 Sports, que reúne atletas considerados influentes mundialmente. Rayssa foi a integrante mais jovem da seleção e a única brasileira. Essa semana, a atleta celebrou o nascimento da irmã mais nova.
O caminho até Los Angeles, porém, passa antes por uma temporada importante na SLS. Depois da vitória no Rio, a próxima etapa está prevista para 29 de agosto, em Tempe, nos Estados Unidos. O calendário ainda inclui disputas em Paris e Tóquio antes do Super Crown, em São Paulo.
Fonte: Correio 24 horas



