Número de benefícios previdenciários relacionados à saúde mental saltou de 5 mil para mais de 15 mil no estado
Os afastamentos relacionados a transtornos mentais mais que triplicaram na Bahia em uma década. O número de benefícios previdenciários associados à saúde mental passou de 5.020, em 2014, para 15.189 em 2024, uma alta de aproximadamente 203%.
Os dados são do SmartLab, plataforma desenvolvida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a partir de informações previdenciárias. O levantamento considera benefícios associados à saúde mental tanto na modalidade comum (B31) quanto na acidentária (B91).
O total registrado em 2024 é o maior da série analisada. Antes disso, entre os maiores números estavam os 8.443 benefícios concedidos em 2020 e os 8.898 de 2023. Em apenas um ano, portanto, a quantidade saltou de 8,8 mil para mais de 15 mil.
Os dados também mostram uma concentração dos afastamentos em determinados setores da economia. Considerando o período de 2014 a 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial responderam por 21,8% dos registros. Na sequência aparecem a administração pública, com 14,1%, e as atividades de atendimento hospitalar, com 10,1%.
Entre os afastamentos classificados como acidentários, nos quais há reconhecimento previdenciário da relação com o trabalho, a ansiedade aparece com 33,2% dos registros. Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação representam 27,9%, enquanto episódios depressivos correspondem a 20,1%.
O avanço dos casos na Bahia acompanha um movimento observado em todo o país. Dados da Previdência Social mostram que, em 2024, foram concedidos no Brasil 481.476 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais. Desse total, 9.822 tiveram o nexo com o trabalho reconhecido e foram classificados como benefícios acidentários.
Na comparação com 2019, antes da pandemia de covid-19, a quantidade nacional de benefícios relacionados à saúde mental cresceu 104,07%. Naquele ano, haviam sido contabilizadas 235.935 concessões.
Os números disponíveis, no entanto, não representam toda a população que enfrenta transtornos mentais. A base previdenciária está relacionada aos trabalhadores alcançados pelo sistema de benefícios e registra os casos que resultaram em concessão, não todas as pessoas que apresentam ansiedade, depressão ou outros transtornos.
A discussão sobre o impacto da saúde mental no ambiente profissional ganhou um novo componente em 2026. Desde 26 de maio, a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
A norma estabelece que as organizações devem considerar fatores psicossociais na identificação e avaliação dos riscos ocupacionais. Entre as situações que podem estar relacionadas a esses riscos estão sobrecarga de trabalho, excesso de demandas, assédio e falta de suporte no ambiente profissional.
Fonte: Correio 24 horas



