Moradores de Macururé, no Vale do São Francisco, deverão percorrer mais de 30 quilômetros para atendimento presencial
O Bradesco anunciou o fechamento da única agência bancária de Macururé, cidade de 7,2 mil habitantes localizada na região do Vale do São Francisco. Ao todo, mais de 2 mil clientes deverão ser transferidos para a agência mais próxima, em Chorrochó. O encerramento das atividades está previsto para a próxima sexta-feira (19).
A distância entre os dois municípios é de 34,1 quilômetros. De carro, o trajeto dura cerca de 37 minutos. Segundo Ronaldo Ornelas, diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, 90% dos clientes atendidos em Macururé são aposentados e idosos. “É um prejuízo grande para a população, especialmente para os hipervulneráveis, como idosos e pessoas sem letramento digital ou acesso à internet. É também um prejuízo econômico para as cidades de pequeno porte”, disse.
O fechamento da agência ocorre em meio a um processo de reestruturação que, segundo Ornelas, vem sendo implementado pelo Bradesco desde 2023. A estratégia tem como foco a redução dos custos operacionais e a ampliação da digitalização dos serviços.
“Esse é um processo de reestruturação produtiva que o Bradesco vem implementando desde outubro de 2023, quando foi lançado um planejamento estratégico que prevê uma redução drástica dos custos de serviços. Com isso, o banco elegeu a redução dos postos de atendimento presenciais e a migração para o atendimento digital”, afirmou.
No último dia 9, a Câmara Municipal de Macururé recebeu moradores da cidade em uma audiência pública para debater o fechamento da unidade bancária. O encontro reuniu autoridades municipais, representantes do Sindicato dos Bancários da Bahia e lideranças comunitárias.
Durante a audiência, diversas falas destacaram os impactos que o fechamento da agência pode causar, especialmente para aposentados, comerciantes, servidores públicos e moradores da zona rural, que dependem diariamente dos serviços bancários. A expectativa é que o município entre com uma ação judicial nesta terça-feira (16) para impedir o fechamento da unidade.
A reportagem tentou contato com o Bradesco, por e-mail, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Justiça proibiu fechamento em Chorrochó
Em setembro do ano passado, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinou que o Bradesco não encerrasse as atividades de um posto de atendimento bancário em Chorrochó, cidade de 10,5 mil habitantes também localizada na região do Vale do São Francisco. A determinação atendeu a um pedido do município. A unidade também é a única da cidade.
Na decisão liminar (provisória), o desembargador José Cícero Landim Neto determinou que o Bradesco mantenha o funcionamento integral das atividades do banco na cidade até que seja instalada uma unidade bancária avançada ou estrutura semelhante no município.
A decisão proibiu o Bradesco de encerrar as atividades na cidade — medida prevista para o dia 22 de setembro — e deixar os moradores sem qualquer tipo de atendimento. Foi estipulada multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Fechamento de agências na Bahia
Entre outubro de 2023 e abril de 2026, foram fechadas 55 agências e abertas apenas seis novas unidades, todas voltadas para segmentos empresariais ou clientes de alta renda, de acordo com o Sindicatos dos Bancários na Bahia. No estado, quarenta municípios perderam a única agência do Bradesco. Juntas, as cidades têm 811.219 habitantes impactados diretamente.
De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dos 417 municípios baianos, apenas 203 possuem atualmente pelo menos uma agência bancária. Outros 214 permanecem desassistidos. Há casos em que moradores precisam percorrer dezenas de quilômetros para realizar operações que poderiam ser resolvidas na própria cidade.
Fonte: Correio 24 horas



