Christa Pike permanece hospitalizada após tentativa de execução no Tennessee
A demora para iniciar a reanimação de Christa Pike após uma tentativa de execução no Tennessee, nos Estados Unidos, pode ter provocado uma lesão cerebral, segundo o médico contratado pela defesa. A mulher, de 50 anos, sobreviveu à aplicação de duas injeções letais na noite de quarta-feira (30) e permanece hospitalizada.
Joel Zivot disse à BBC que os profissionais responsáveis pelo atendimento de Pike “tomam medidas para salvar a sua vida”. Os advogados ainda não sabem quais foram as consequências do procedimento para a saúde dela.
“É muito possível que, como consequência da demora no início da reanimação, ela sofra uma lesão cerebral”, afirmou o médico.
Zivot suspeita que o pentobarbital usado na execução não tenha alcançado uma concentração suficiente no sangue para causar a morte. Segundo o relato, Pike manteve os batimentos cardíacos, e testemunhas ouviram sua respiração e roncos durante a tentativa.
A defesa havia alertado, antes da execução, que as veias pequenas de Pike e outras condições de saúde poderiam tornar o procedimento torturante. Depois da suspensão, os advogados reiteraram a preocupação: “Não temos prazer em estar certos, mas as preocupações levantadas pela sra. Pike se mostraram verdadeiras”.
Durante a aplicação, Pike reclamou de queimação no braço, conforme jornalistas que acompanharam o procedimento. As cortinas entre a câmara de execução e a sala das testemunhas foram abertas e fechadas algumas vezes, até permanecerem fechadas por quase uma hora. Nesse intervalo, houve relatos de respiração e ronco constantes.
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que cumpriu todas as etapas previstas no protocolo aprovado pelo gabinete do procurador-geral do estado. O órgão também defendeu a substância utilizada: “O produto químico de injeção letal previsto no protocolo tem sido consistentemente eficaz”.
Segundo o departamento, as regras não autorizam procedimentos adicionais além das injeções aplicadas. O Tennessee, porém, não tem um protocolo que estabeleça como agir diante de uma execução malsucedida. O futuro de Pike permanece indefinido.
Em maio deste ano, outra tentativa de execução foi interrompida no estado porque a equipe não conseguiu encontrar uma veia em Tony Carruthers, condenado pelo sequestro e assassinato de três pessoas em 1994. Ele continua no corredor da morte e recebeu um indulto de um ano do governador Bill Lee.
Pike foi condenada pelo assassinato de uma colega em 1995, quando tinha 18 anos. O crime contou com a participação do então namorado e de um amigo. Ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de dois séculos.
Antes da aplicação das injeções, decisões judiciais conflitantes cancelaram, restabeleceram e atrasaram a execução. Segundo o jornal The New York Times, o estado tentou concluir o procedimento antes do fim de quarta-feira para evitar um novo agendamento.
Fonte: Correio 24 horas



